E quem falou que não há mercado para o internacionalista?

US ECONOMY
Por Salomão Cunha Lima

Ouvi Max Gehringer nesta entrevista para a CBN falar sobre o curso de Relações Internacionais e posso sustentar que ele não conhece o mercado de trabalho onde o profissional de Relações Internacionais pode se enquadrar, nem no diferencial técnico e crítico que o internacionalista possui.

Obviamente, não é comum (como é para outros cursos de graduação) ver nos concursos e processos seletivos o que Gehringer chama de “quadrinho de relações internacionais”, onde fácil e claramente podemos nos candidatar a vagas de trabalho. Mesmo assim, o mercado atualmente já tem um maior entendimento de quem é o profissional de Relações Internacionais e de suas competências e habilidades para desempenharem atividades – muitas vezes relevantes – em suas empresas. Não é à toa que além do tradicional mercado de trabalho que contempla de forma notória os internacionalistas (Consulados, Câmaras de Comércio, Embaixadas, Secretarias de Relações Internacionais, dentre outros), há outras áreas que reconhecem no profissional de RI um grande potencial para ocupar postos de trabalho que outrora eram concedidos a outros profissionais.

A primeira fase de inclusão se deu após o boom do curso de Relações Internacionais no Brasil (em meados dos anos 2000), quando o tradicional mercado de Comércio Exterior rapidamente compreendeu em todo o país que o internacionalista está apto não apenas a conduzir as corriqueiras operações aduaneiras, mas, sobretudo, a coordenar processos de negociação internacional com clientes de diferentes culturas e formalidades, dada sua capacidade de articulação e comunicação.

Em segundo tempo, o senso crítico e a diversidade de conhecimentos adquiridos ao longo da graduação também fez com que diversos setores de Recursos Humanos recrutassem internacionalistas para suas equipes, onde internacionalistas lidam com desde a organização de processos seletivos, até com treinamentos interculturais e trâmites de contratação e legalização de profissionais estrangeiros. Além desse setor, diversas consultorias (incluindo as chamadas “Big Four”) contratam RIs para coordenarem projetos em clientes dos mais variados segmentos dado seu senso crítico e poder analítico para detecção de pontos críticos nas empresas e planejamento de soluções.

Bancos e operadoras financeiras também inserem internacionalistas em seus âmbitos profissionais, sobretudo nos setores de câmbio e corretagem em bolsas de valores do exterior. ONGs dos mais diversos temas vêem nos internacionalistas um sentimento social, um engajamento incrível, e uma mente repleta de ideias para tornar o mundo melhor.

Por outro lado, Gehringer tem razão quando fala que “o curso de Relações Internacionais, sozinho, não tem sustentação suficiente para fazer o aluno entrar no mercado”. Por isso, durante a graduação, todo estudante de RI precisa rechear seu currículo com atividades extracurriculares, o que inclui participação em eventos, palestras, missões acadêmicas, possuir experiência internacional e falar dois ou mais idiomas estrangeiros, sendo o inglês e espanhol não mais diferenciais, mas necessidade mínima exigida pelo mercado que nos insere. Ao sair da graduação, após definir a área que pretende atuar profissionalmente (dado o leque de opções), vale realmente a pena pensar em alguma especialização ou pós-graduação, como MBAs, mestrados profissionais, além do tradicional mestrado acadêmico (aos que seguirão carreira acadêmica e contribuirão para evitar que nossa “espécie” entre em extinção).

Quanto mais você, internacionalista, conhecer o mercado, mais segurança terá para escolher seu futuro profissional e obter êxito com esta decisão. Por isso, pesquise vagas e busque conhecer pessoas. Quanto mais [gente, vagas e lugares] conhecer, mais sua visão será ampliada e seus objetivos afunilados. Conecte-se.
Advertisements

5 responses to “E quem falou que não há mercado para o internacionalista?

  1. Max Gehringer não está errado. Assim como o leitor dele passo pela mesma situação. Não consegui emprego na área e não conheço niguém que o tenha. Me arrependo profundamente dessa graduação.

  2. Prezado Luís, eu consegui emprego na área, agora você conhece alguém. Um abraço 🙂

  3. Pingback: 10 coisas que você precisa saber antes de fazer Relações Internacionais | International Connectors·

  4. Esse na “área” é muito perigoso, porque pra maioria, o “na área” é só aquele leque mainstream de trabalhos, quando muito mais áreas querem profissionais de R.i, mas uma coisa é certa, só a graduação não é suficiente.

  5. To fazendo o primeiro semestre e entrei no curso mais por gostar do tema e o desejo de não morrer sem ter alcançado meu diploma de nivel superior. Tido que eu leio sobre o curso é que as poucas vagas na área surgem por indicação, sou PROUNI e sinceramente se tivesse que pagar pelo curso acho que não faria mesmo.

Comentários

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s