Os desafios para trabalhar em Organismos Internacionais

large_6058645445 Por Gustavo Kozemekin

Em grande parte dos cursos de Relações Internacionais no Brasil, os formandos aprendem sobre a história de think tanks, ONGs internacionais e até mesmo de grandes organismos internacionais, como a ONU, a OEA, o Banco Mundial, o Banco Inter-Americano de Desenvolvimento, dentre outros. É natural que seja despertada uma curiosidade em muitos alunos sobre como é a rotina e como é trabalhar em lugares assim. Mais natural ainda é que, não raro, ideologias nasçam a partir dessa curiosidade, o que não é muito saudável se o jovem não conseguir discernir com clareza a realidade daquilo que ele pensa que é a realidade.

Em primeiro lugar, se o seu sonho é trabalhar em um organismo internacional no exterior, saiba que precisará trabalhar (muito!) para conseguir uma vaga, nem que seja uma vaga de estágio. A concorrência é altíssima, como também é o nível de exigência – mas não impossível. Geralmente, além de boas notas (óbvio), o candidato precisa saber quais programas de cooperação com universidades e institutos no exterior sua faculdade possui. Às vezes, tais programas dão a chance de o jovem estagiar em um organismo internacional ou think tank relevante para o mundo das Relações Internacionais, de uma maneira mais “fácil” do que simplesmente enviar currículos constantemente. Além disso, é fundamental a pessoa ter o inglês fluente, saber como escrever uma carta de apresentação (cover letter) dentro dos moldes da organização e vaga em questão, ter contatos e fazer trabalhos voluntários dentro da área que se quer atuar (meio-ambiente, direitos humanos, política, etc.).

Em segundo lugar, é essencial o aluno (ou recém-formado) se preparar financeiramente. Nos Estados Unidos, por exemplo, não há lei do estágio, como no Brasil. É prática muito comum que os estágios sejam por tempo determinado e não-remunerados. Assim, se você quer estagiar na ONU ou no Banco Mundial, tenha ciência de que vai precisar planejar um bom orçamento que garanta passagem aérea, seguro-saúde, acomodação, transporte, refeições, lazer e compras por alguns meses nas cidades mais caras dos Estados Unidos – Nova York e Washington, D.C., respectivamente –, sem dizer que esse orçamento precisa ser pensado em dólares (ou em euros, caso o estágio seja na Europa).

Por fim, tenha cuidado com expectativas. Por melhores que sejam sua experiência profissional e seu currículo, a chance de você não ser efetivado é muito alta, principalmente nos EUA. Devido à crise, o país e os empregadores estão dificultando muito a emissão de vistos de trabalho para estrangeiros. Portanto, considere-se a exceção da exceção se você for efetivado!

Como a regra é voltar para a casa, muitos se questionam se vale a pena todo o esforço por uma experiência em um organismo internacional. Bem, depende do foco de cada um. Além dos benefícios de morar fora e aprimorar o inglês, uma experiência como essa muda mentalidades (ou deveria mudar). Você vê, na prática, tanto aquilo que os livros diziam, quanto aquilo que deveriam dizer, o jogo de interesses entre todos os países e, também, a hipocrisia de muitos. Ao final do estágio, é notório que a maturidade profissional e pessoal do candidato (e, às vezes, até mesmo a maturidade política) tenha aumentado substancialmente. O benefício de uma experiência profissional como essa também se aplica a quem sonha em seguir carreira diplomática, uma vez que muitos dos temas tratados nesses ambientes são cuidadosamente trabalhados pelos diplomatas brasileiros.

Por maiores que sejam as dificuldades, é possível conquistar uma experiência profissional em organismos internacionais. Você pode, por exemplo, começar explorando as possibilidades existentes em escritórios de muitos desses organismos em Brasília, que recrutam estudantes frequentemente. O importante é que você responda o que você quer de verdade e se preparar para conquistar a vaga, mostrando seus diferenciais. Com certeza será uma experiência única na sua vida, a qual pode definir sua carreira a longo prazo.

Sobre o autor

DSC05192Gustavo Kozemekin foi estagiário na Missão do Brasil na ONU em Nova York e na Organização dos Estados Americanos em Washington, D.C. Também estagiou em Relações Governamentais no Conselho de Negócios Brasil-Estados Unidos da Câmara Americana de Comércio em Washington, D.C. e na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) Atualmente trabalha com assistência jurídica e de imigração a expatriados no Brasil como consultor..

Foto: Dan Nguyen @ New York City via photopin cc

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One response to “Os desafios para trabalhar em Organismos Internacionais

  1. Ótimo texto! Aproveito a deixa para sugerir que as universidades brasileiras promovam ” feiras de carreira”, que trazem os empregradores (OIs, Think Tanks, ONGs, etc) para fazer palestras versando sobre os requisitos de contratação e tirar dúvidas dos aluno. Isso é muito comum aqui na Inglaterra onde eu faço mestrado. Abraços

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