O jovem internacionalista na política

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Por Marcus Peçanha

Desde 2010, venho defendendo que a inserção internacional, não apenas da União, mas também de Estados e Municípios, ganhe força junto à pauta política para que possamos melhorar não apenas o nível de investimentos, mas, sobretudo, a qualidade das mais diversas políticas públicas. Todavia, essa grande luta dos internacionalistas, é apenas uma das formas de atuação política.

Em uma democracia ampla e plural como o Brasil, apesar de estarem totalmente fora de moda, os políticos são extremamente necessários. São os políticos que pautam a agenda das mais diversas políticas públicas sobre as quais podemos pensar. São os políticos os responsáveis por temas tão presentes em nosso cotidiano como educação, saúde, inclusão social, transporte, emprego e segurança. Temas muitas vezes mais “complexos” como economia, energia, saneamento-básico, política externa, defesa ou mesmo a tão esperada reforma política, também estão na pauta dos políticos, seja no legislativo, seja no executivo.

Assim, supõe-se que os bons políticos são aqueles capazes de aprender não apenas sobre diversas pautas, mas também entender a conectividade que os temas têm entre si, e entre os mais diversos segmentos da sociedade. Potencial de análise de conjunturas e de articulação para atingir o melhor cenário possível, portanto, é o que faz um bom político.

O profissional de Relações Internacionais, dentre os quais me incluo, é um “aprendedor”! A nossa formação generalista e a constante convivência com o diferente, é o que faz com que tenhamos profissionais bem sucedidos em diversas instituições, como empresas multinacionais, entidades de classes, consultorias, ONGs, órgãos de imprensa, Itamaraty, Organizações Internacionais, etc. Normalmente, os bons profissionais são aqueles que sabem defender os interesses de seus empregadores junto aos demais atores do sistema.

Esse perfil generalista e “aprendedor” é tão interessante, que podemos notar alguns de nossos colegas sendo muito bem sucedidos também em outros segmentos, como Recursos Humanos e Marketing, que tecnicamente pouca relação tem com aquilo que aprendemos em sala de aula.

Todavia, percebo que são raríssimos os casos de profissionais atuando na política partidária. Apesar de a presença dos internacionalistas ser notadamente crescente junto a importantes órgãos públicos, ainda somos profissionais vistos como técnicos. Técnicos, normalmente são aqueles chamados a formular projetos em segmentos específicos, e que no limite vão executar o projeto proposto. Bons técnicos são extremamente necessários para um Estado eficiente.

Ocorre, contudo, que o Itamaraty, por exemplo, não é o responsável por formular a Política Externa do nosso país. Essa responsabilidade compete à Presidência da República, e ao Itamaraty, compete executar aquilo que for determinado pelo governo federal.

Logo, podemos notar que para o Brasil ser mais inovador, mais competitivo e mais desenvolvido, precisamos não apenas de bons técnicos, mas também de bons políticos.

Parece-me óbvio que os políticos convivem com um nível altíssimo de pressão. Eles devem prestar contas constantemente aos seus familiares, vizinhos, amigos e à sociedade, além de enfrentar eleições constantemente, e debates (muitas vezes desgastantes) diariamente. Os estudantes de Relações Internacionais que se dedicam a atividades extracurriculares como CIERIs, DAs, CAs, FENERI, Modelos, Empresas Juniores, Atléticas, etc; sabem bem como o desgaste pessoal é grande! Ainda assim o fazem em função de um idealismo, ou mesmo de uma paixão, que os move em busca de resultados. O mesmo ocorre com os bons políticos, mas com uma intensidade muito maior!

Ocorre, porém, que aqueles que têm nojo ou preguiça de política, são representados e governados por quem não tem.

Portanto, está explícito que precisamos de pessoas mais qualificadas nos partidos políticos, para atuarem nos parlamentos e nas formulações de políticas públicas combinadas, nos mais diversos Municípios, Estados e mesmo na União. Nós, internacionalistas, generalistas e “aprendedores”, podemos ser extremamente úteis ao nosso país dentro deste contexto, participando de maneira mais pró-ativa dentro dos partidos políticos. E o Brasil precisa muito de bons políticos!

Sobre o autor

MarcusMarcus Peçanha é Assessor Executivo da Diretoria da CESP. Graduado em Relações Internacionais pela PUC-SP, é pós-graduando no Executive MBA, pela Business School São Paulo. É Presidente do Diretório Regional do PSDB do Butantã.

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