As oportunidades para os internacionalistas no Rio Grande do Sul

large__9832307204Por Fernando Freire Dutra

Esse artigo apresenta minha experiência como jovem profissional de Relações Internacionais no Estado do Rio Grande do Sul e tem como objetivo oferecer uma reflexão sobre essa formação e carreira.  Além disso, pretendo explanar aquilo que entendo como possíveis oportunidades e dificuldades que os interessados nessa vertente de conhecimento podem ter no Estado Gaúcho. No entanto, antes de entrarmos no mérito deste artigo é muito importante fazermos uma reflexão sobre quais são as características do Rio Grande do Sul em termos econômicos, políticos, culturais e corporativos –  algo que tem forte influencia na formação em Relações Internacionais em uma região.

O Estado do Rio Grande do Sul por muitos anos destacou-se como referência por sua cultura política, pujança econômica e forma de organização social. A educação, infraestrutura e a intensa participação do Estado do Rio Grande do Sul no Produto Interno Bruto brasileiro eram questões que orgulhavam os gaúchos e caracterizavam essa região como um modelo a ser seguido no Brasil. Porém, nos últimos 15 anos, uma nova realidade vem se moldando no Estado.

O RS tem perdido espaço em áreas estratégicas para o seu desenvolvimento, tais como: (i) educação básica e profissional (ii) infraestrutura em todos os modais; (iii) gestão pública, com gastos acima do arrecadado em impostos – algo que gera baixa capacidade de investimento; (iv) um déficit da previdência pública na casa dos R$ 5 bilhões, devido a  falta de políticas robustas e continuadas.

Acredito que a relação entre vagas para profissionais de Relações Internacionais e a competitividade estratégica de um Estado está se mostrando cada vez mais concreta. Essa falta de competitividade do Rio Grande do Sul tem ocasionado um movimento de retirada e não instalação de novos investimentos na região, fenômeno que dificulta as oportunidades para o graduado em Relações Internacionais que persegue uma carreira na área privada. Para se ter uma ideia, nos 7 últimos anos, empresas como Dell, Gerdau, Grendene, Das, KeplerWeber, Stemac, Grupo Paquetá e outras tantas tem migrado suas sedes e centros de produção para outros estados brasileiros, principalmente para a Região Nordeste.

Afim de não ser completamente generalista e injusto, algumas empresas tem feito um esforço para atrair e fomentar profissionais formados no curso em questão. São exemplos disso as empresas: Tramontina, Gerdau, Randon e algumas Consultorias Internacionais. No entanto, vejo com grande preocupação o desconhecimento por parte de algumas empresas de qual seja a real função do profissional de Relações Internacionais, o qual é muitas vezes confundido como um técnico em Comércio Exterior ou um Operador Logístico.

No âmbito público, o Rio Grande do Sul é bastante restrito para uma carreira em Relações Internacionais. As oportunidades para essa formação têm girado muito em torno de algumas Secretarias Estaduais e Municipais. As mais reconhecidas são: a Secretaria de Desenvolvimento do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, a Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Atração de Investimento, o Departamento Internacional do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, a Secretaria de Turismo da Cidade de Porto Alegre e a Secretaria de Desenvolvimento do Município de Porto Alegre. Existem algumas secretarias municipais no interior do RS que também oferecem alguma oportunidade para esses profissionais, no entanto, ainda possuem pouca expressão em termos de carreira.

Já para aqueles profissionais que procuram focar em uma carreira acadêmica e de pesquisa, o Rio Grande do Sul oferece uma excelente estrutura. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), através do seu Centro de Pesquisa Internacional, oferece ao pesquisador um grande acervo de literatura e um corpo de professores conceituadíssimo nesse meio. O Centro de Pesquisa da Escola Superior de Propaganda e Marketing, explora o viés corporativo das Relações Internacionais, algo que favorece e complementa uma visão de todo.

No entanto, entendo que os segmentos que mais oportunidades oferecem para o recém-formado em Relações Internacionais são as Federações, Associações Representativas, Agências de Desenvolvimento e Câmaras Comerciais. Nesses organismos o profissional de Relações internacionais exerce a função de pesquisador, criador de relacionamentos entre empresas estrangeiras e o RS, promotor comercial, prospector de oportunidades para a região e outras tarefas bastante condizentes com o curso. Entre as organizações mais reconhecidas, destacam-se:  o Centro Internacional da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), a Federação do Comércio do Rio Grande do Sul (FECOMÉRCIO), a Federação  das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (FEDERASUL),  Câmara de Comércio Alemã, Câmara de Comércio Americana (AMCHAM), Câmara de Comércio Italiana e Câmara de Comércio Portuguesa.

Por fim, não importa a ênfase que o profissional de Relações Internacionais dará para sua carreira, pois possuem o perfil de profissionais completos. Graças as múltiplas facetas oferecidas pelo curso, eles detêm uma bagagem completa de conhecimento nas mais diversas áreas – algo que favorece ao deter uma multidimensionalidade do conhecimento; em outras palavras, conseguir enxergar  o todo e não apenas de uma única vertente de conhecimento.

Visto isso, creio que uma solução para o maior reconhecimento e potencialização dessa profissão no RS der-se-á através de uma estratégia de concentização do empresariado local, seja pelas universidades, seja por parte dos centros respresentativos de Relações Internacionais do Estado do Rio Grande do Sul. Seja qual for o modelo a ser seguido, é muito importante informar e alimentar os benefícios estarégicos que esse profissional pode vir a trazer para uma empresa.

Sobre o autor

1013828_10202396889656192_1033119809_n[1]Fernando Freire Dutra é graduado em Relações Internacionais pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Pós Graduado em Marketing Estratégico pela Fundação Getúlio Vargas. Foi Presidente do Conselho de Relações Internacionais da ESPM-Sul e atuou como Coordenador do Observatório de Competitividade Estratégica do Rio Grande do Sul. Atualmente, representa a divisão de Infraestrutura e Governo da KPMG na Região Sul do Brasil.

Foto de capa:Eduardo Amorim via photopin cc

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