Prática e repouso – a rotina de preparação para o CACD

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Por Leonardo Rocha Bento

No meu último artigo, passei algumas dicas para a preparação para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata, e muitos dos leitores entraram em contato comigo pedindo mais conselhos. Para atender a todos, resolvi escrever novamente para o International Connectors. Minha proposta para hoje é tentar mostrar que nem só de estudos pode viver um concurseiro e, em seguida, apresentar dicas mais específicas de algumas matérias, voltadas para aqueles que estão começando agora a preparação.

A rotina de estudos para esse concurso exige muita dedicação, disciplina e prática, mas a vida do candidato não pode resumir-se a ela. Para aqueles que precisam dividir a atenção com outras obrigações, como o trabalho, o recado pode parecer trivial, mas nunca é demais reforçá-lo. Não se pode, ainda que se busque ter dedicação exclusiva à preparação, empregar todo o tempo e toda a energia disponíveis nos estudos. Internalizar essa dica não se trata de entreguismo, mas de consciência de que há limites para o corpo e para a mente. Seria desumano estimular o contrário.

Os equilíbrios físico e emocional são condições imprescindíveis para a aprovação. Se, quando se está no meio da maratona de provas, tal fato torna-se evidente no cansaço no corpo e nas mãos e nas poucas horas dormidas, a única maneira de tentar antecipar-se é traçar uma estratégia de conciliação entre a prática e o repouso físico e mental. É possível passar no concurso tendo cônjuge ou estando em algum relacionamento; é possível passar não estudando na maioria dos finais de semana; é possível passar praticando esportes e mantendo hobbies. Não é só possível como também é desejável que isso aconteça, porque, em maior ou menor grau, tudo o que listei acima contribui para os equilíbrios físico e emocional do candidato. Manter-se tranquilo e bem disposto pode ser a diferença entre os que passam e os que não passam, porque são muitos os excelentes candidatos que não conseguem a aprovação por estarem exaustos ou por não terem controle emocional no dia da prova.

Se o descanso foi bem feito, o candidato estará em vantagem, mas ela não lhe servirá caso ele não tenha um bom repertório para encarar questões muitas vezes imprevisíveis. Por isso, de volta aos estudos, passo algumas dicas de leitura.

Em Língua Portuguesa, a primeira sugestão é a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Cunha & Cintra. O candidato deve ainda buscar explorar obras clássicas de Literatura Brasileira, tendo também sempre em mãos algum livro didático de Ensino Médio e obras de crítica literária de expoentes como Candido e Bosi. Para a 2ª fase, é fundamental conhecer os clássicos sobre identidade brasileira e formação do país, como Raízes do Brasil e Casa-Grande & Senzala.

Em História, é necessário dar um foco maior à História Mundial para a 1ª fase, por causa do número de questões. Livros de Ensino Médio só servirão para criar alicerces. As Eras de Hobsbawn, o segundo volume de História da Civilização Ocidental de Edward Burns e o manual de Relações Internacionais Contemporâneas do professor Sombra Saraiva são essenciais. História do Brasil pesa pouco na 1ª fase, mas é um diferencial na 3ª. Para começar, sugiro Formação do Brasil Contemporâneo, os 5 volumes de História do Brasil Nação, História do Brasil de Bóris Fausto e História da Política Exterior do Brasil de Cervo e Bueno. Depois, é importante aprofundar-se nos temas em que individualmente apresenta mais dificuldade e conhecer o que os professores da banca têm escrito.

Geografia e Política Internacional apareceram juntas na 3ª fase deste ano, mas nem por isso podem ser negligenciadas. Estudar para as duas requer uma combinação entre livros, notícias e outras publicações. Busque compêndios estatísticos das diversas áreas da Geografia presentes no edital, leia sempre as publicações do MRE sobre política internacional, esteja atualizado com notícias nacionais e internacionais, recorra a livros de Política Externa Brasileira Contemporânea e de Teoria de RI e não fuja das obras de Milton Santos ou de textos sobre a História da Geografia.

Direito e economia têm pouco peso na 1ª fase, mas são importantes na 3ª. Em direito interno, os livros Direito Constitucional Esquematizado e Direito Constitucional Descomplicado ajudam muito. Em direito internacional, não há nenhum manual que seja completo, então é preciso fazer uma leitura combinada entre diversos (Rezek, Shaw, Portela, etc). Para Microeconomia e Macroeconomia, o manual de Mankiw ainda é o grande suporte, mas sugiro buscar livros mais aprofundados. Um manual de Economia Internacional também é muito útil, assim como a leitura constante de notícias econômicas, tentando associar os fatos reais à base teórica. Os livros de Gremaud, Giambiagi e Paiva são uma boa fonte de informações sobre Economia Brasileira.

Deixei de fora as línguas estrangeiras, porque elas estão bastante ligadas com o que escreverei numa próxima ocasião. Prometo voltar em breve com mais comentários sobre a preparação para o CACD.

Sobre o autor

1531703_619434708124156_2053888849_oLeonardo Rocha Bento estudou Relações Internacionais na Universidade de São Paulo. Aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata em 2013, atualmente estuda no Instituto Rio Branco.

Foto de capa:Xavier Donat via photopin cc

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3 responses to “Prática e repouso – a rotina de preparação para o CACD

  1. Pingback: Relações Internacionais: o caminho menos difícil para a diplomacia | International Connectors·

  2. Ótima orientação, Leandro. Estava precisando de um guia que direcionasse da base ao aprofundamento. Abraço.

Comentários

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