Como se preparar para um mestrado fora do Brasil

Lucas Valente, autor do artigo a seguir, foi aceito em um programa de duplo diploma entre as universidades Sciences Po Paris e Columbia para realizar mestrado em Relações Internacionais. Para arcar com os altos custos, Lucas está realizando uma campanha de financiamento coletivo. Confira abaixo sua experiência e descubra dicas de preparo para um mestrado fora do país!

Columbia University, New York

School of International and Public Affairs (SIPA), Universidade de Columbia

Fazer mestrado fora do Brasil, especialmente para quem é da área de Relações Internacionais, é uma experiência no mínimo diferente da de quem faz mestrado por aqui. O quão diferente só poderei dizer daqui a dois anos, quando terminar o mestrado que irei começar agora em setembro. Depois de um longo processo de candidatura e espera, fui aceito no Duplo Diploma Sciences Po/SIPA, entre a Sciences Po Paris (PSIA) e a Universidade de Columbia (SIPA) em Nova York, para cursar meu mestrado em relações internacionais (Master of International Affairs, MIA).

Quem tem essa ideia amadurecida e decide de fato a se candidatar, precisa começar cedo a preparação. Algo entre 14 e 16 meses antes do início do preterido curso me parece ser um bom prazo. Nesse período, você precisará pesquisar quais universidades oferecem os programas mais adequados a sua carreira idealizada, escolher no máximo quatro ou cinco para se candidatar, pois o processo de candidatura é trabalhoso (e não é de graça!), e enfim, se dedicar às etapas do processo de cada uma.

O que vou explicar agora é baseado na minha experiência de candidatura para universidades nos Estados Unidos e na Europa, não sei se processos em outros lugares diferem muito. Muito importante também, vou explicar sobre possibilidades de bolsas e financiamento, inclusive crowdfunding!

A primeira coisa com que se preocupar, para não ficar sobrecarregado, é com os famigerados testes padrões, que incluem o GRE e o TOEFL. O primeiro é exigido, ao menos nos Estados Unidos, para todos, estrangeiros ou não, e são cobradas habilidades em redação, vocabulário/interpretação de texto e análise quantitativa. O segundo é exigido apenas para quem não tem inglês como primeira língua e analisa suas habilidades em inglês especificamente. Ambos são testes longos e cansativos, por isso estudar um pouco por dia e fazer simulados antes de realizá-los é importante.

Outra etapa do processo de candidatura são as cartas de recomendação. O número varia entre universidades, mas fica entre duas e três cartas, entre acadêmicas e profissionais. Como essas cartas não dependem apenas de você, é importante pensar em quem vai escrevê-las com bastante antecedência, pois será seu chefe ou seu professor quem irão enviá-las (por e-mail ou fazendo upload) diretamente para a Universidade.

Currículo também é parte do processo e precisa ser detalhado, ressaltando as atividades que são mais atraentes para o programa de mestrado almejado. Columbia, especificamente, me pediu também um currículo quantitativo e de línguas, em que eu indicava os cursos que já tive em economia, finanças, etc e qual meu nível de conhecimento em idiomas.

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Por fim, a carta de motivação, que é considerada a mais importante peça da candidatura. Na falta de uma entrevista, é nessa carta que você irá se apresentar e explicar o porquê desse mestrado, dessa universidade, desse momento, de você. Ela precisa ser coerente com o resto da sua candidatura e com o programa de mestrado escolhido. Em processos de universidades no topo de diversos rankings, como Columbia, a taxa de admissão raramente passa de 10%, e a primeira impressão que o pessoal do escritório de admissão terá de você é por esta carta.

Todos esses requisitos (com exceção do GRE e do TOEFL) precisam ser feitos para cada processo, moldando cada um deles de acordo com cada programa escolhido. Por isso é importante começar tudo bem cedo, pois é um processo cansativo, que inclui também a tradução de alguns documentos e mesmo o envio físico, pelo Correio, da candidatura ou de alguns documentos.

Começar cedo também é importante por causa de prazos cruciais, especialmente de bolsas de estudos. Algumas universidades tem prazos mais curtos caso você queria concorrer a bolsas de estudo. E com as bolsas (da própria universidade ou de fundações, governos etc) vem também processos de candidatura para as bolsas, que também exigem tempo e dedicação. No meu caso, as opções de bolsas são muito limitadas, pois irei fazer um duplo diploma, mas cada caso é um caso. Por causa disso, por exemplo, já fui excluído de quase todas  as bolsas do governo francês, que exigem o mestrado integral na França. Apesar de ter me preparado, acabei não conseguindo nenhuma bolsa das duas únicas fundações brasileiras que poderiam, no meu caso específico, me auxiliar com os estudos, a Fundação Estudar e a Fundação Lemann. Ainda irei me candidatar a bolsas para o segundo ano, em um processo separado e com mais opções de bolsas, por ser o segundo ano. Mas e até lá?

Financiamento coletivo, crowdfunding, foi minha alternativa. Tendo sido aceito num programa tão seletivo, não iria desistir por falta de recursos, então lancei minha campanha pelo site da Benfeitoria, que está no ar aqui: benfeitoria.com/lucasvalente. Tenho menos de duas semanas para o fim do prazo estabelecido, prazo esse que coincide com meu embarque para Paris. Caso não atinja 100% de minha meta, todo o dinheiro arrecadado é devolvido a quem contribuiu.

Na plataforma da Benfeitoria, expliquei com mais detalhes meu projeto de mestrado e expor os gastos que me aguardam nos próximos dois anos. Para cada contribuição há uma recompensa, em uma relação de ganha-ganha, que é um lema do crowdfunding. Na minha campanha, as recompensas vão desde uma conversa por Skype até um livro de fotos de minha autoria.

Esta forma de arrecadação ainda é pouco usual para financiar estudos no exterior, mas não deixa de ser uma possibilidade real. Os custos dos programas são altos, mas o retorno futuro para o Brasil, em termos de capacidade profissional, são grandes e é isso que faz valer a pena. Espero poder contar com sua contribuição!

Sobre o autor

lucas_3x4_-_menorLucas Valente da Costa é bacharel em Relações Internacionais pela PUC-SP e foi aceito em quatro programas de mestrado no exterior: Duplo Diploma Sciences Po/SIPA, Columbia University, New York University, e Sciences Po Paris. Pretende, no mestrado, estudar questões de direitos humanos, imigrações, refúgio e resolução de conflitos. É co-fundador da ONG Engajamundo, trabalha atualmente no Consulado Geral do Canadá em São Paulo e já fez estágios no escritório do Itamaraty em São Paulo e na Missão do Brasil na ONU em Nova York.

Foto de capa: Lenny Pridatko

 

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