O que saber antes de estagiar na Missão do Brasil na ONU em Genebra?

Por Patrícia Galves Derolle

Conselho de Direitos Humanos

Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Foto: Mariana Chammas

O Programa de Formação Complementar na Missão do Brasil junto à ONU, em Genebra, é uma grande oportunidade para os internacionalistas. O programa oferece valiosas experiências, as quais ajudarão o candidato a compreender melhor, e de perto, as Relações Internacionais. O palco deste estágio será na cosmopolita cidade de Genebra, Suíça, onde se respira multilateralismo, pois nela estão hospedadas instituições mundiais importantes, como a Cruz Vermelha Internacional, a Organização Mundial do Comércio, a ONU (Palais des Nations) e suas agências, em especial a OIT e o ACNUR.

Tive a oportunidade de participar na primeira turma de 2010 (janeiro a abril) do Programa de Formação Complementar. Embora já tivesse feito estágio voluntário, em 2007, na Missão do Brasil junto às Comunidades Europeias, em Bruxelas, tinha curiosidade em poder verificar o modus vivendi da Missão em Genebra. Sob ótica pessoal e acadêmica, a experiência foi gratificante e intensa, com muito trabalho, análises e pesquisas. O mais interessante, em minha opinião, foi poder participar, in loco, de algumas das sessões do Conselho de Direitos Humanos e do Governing Body da OIT, além de reuniões cujas temáticas eram sobre Direito Humanitário, Refugiados e Imigrações. Já profissionalmente, a experiência no exterior (característica procurada por grandes empresas atualmente), em ambientes multiculturais de alto nível, proporcionou-me visão diferenciada do mundo, bem como habilidades interpessoais e de negociação.

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A participação no programa é um importante caminho para começar a carreira pública na área de Relações Internacionais, seja como diplomata brasileiro ou como funcionário internacional de Organizações Internacionais. O candidato poderá empiricamente verificar se, de fato, tem aptidão para o trabalho, pois lidará com a prática diplomática em grande parte do seu tempo em Genebra, e poderá refletir se lidar com este tipo de trabalho é algo que realmente quer para sua vida. De qualquer maneira, vários são os ganhos pessoais e profissionais proporcionados pelo programa: convivência com o corpo diplomático brasileiro, conhecimento do modus vivendi de posto brasileiro no exterior e o entendimento do modus operandi tanto da Política Internacional como da Política Externa Brasileira.

Deseja se candidatar? Deixo, então, duas dicas para a primeira etapa:

  1. O candidato deve escrever e apresentar uma carta de motivação coesa e coerente, com bom uso da ortografia e da gramática, na qual deve relatar suas conquistas acadêmicas/profissionais e demonstrar senso crítico em relação a temas internacionais importantes para a Missão do Brasil em Genebra;
  2. O candidato deve, ainda, apresentar carta de recomendação honesta e objetiva, que favoreça sua candidatura. Para isso, converse com seu/sua professor(a)/empregador e delineie com ele/ela alguns pontos antes de lhe pedir este favor – parece comentário superficial, mas não é, já que a prática de solicitar cartas de recomendação, no Brasil, não é costumeira.

A Suíça é um país caro, portanto, saiba que você precisará de cerca de 2000 francos suíços mensais para acomodação, alimentação, transporte e lazer básico. Uma das maiores dificuldades é encontrar acomodação, mas, assim que selecionado, você receberá uma cartilha da Missão com opções de hospedagem para os participantes do programa. Em relação ao transporte, você poderá, mesmo sem ser residente permanente, solicitar o bilhete de transporte público mensal, que é válido para ônibus, tram (monotrilho) e barco – apenas para atravessar o lago. Se você pensa em viajar de trem pela Europa durante sua estadia em Genebra, fique atento: passagem deste meio de transporte é caríssima, pesquise muito bem antes de comprar – às vezes, é melhor viajar com as companhias aéreas de baixo custo (EasyJet, RyanAir). Caso queira aprender ou aperfeiçoar o francês, aconselho buscar cursos aos sábados – uma boa opção é a École Club Migros. Se você for durante o verão, ao lado da Missão do Brasil há um clube em que você poderá se banhar na piscina, por apenas 3 francos diários.

Por fim, a experiência de participar do programa é sui generis, em que o candidato terá a oportunidade de agregar valor e importância ao seu currículo, pois combinará vivência no exterior e aprendizado, convivência com outras culturas e entendimento de o que é ser brasileiro, lutar pelo interesse nacional e criticar ações globais inconcebíveis; ele refletirá, também, sobre as Relações Internacionais como um todo, tornando-se consciente e capaz de, quiçá, mudar a conjuntura internacional atual. O estágio, portanto, deve ser visto como uma oportunidade única, em que o candidato tem de fazer valer todos os minutos de sua experiência. Vai depender exclusivamente dele colher frutos pessoais e profissionais da oportunidade.

Clique aqui para conhecer e se candidatar para a próxima turma do Programa de Formação Complementar da Missão Permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas e outros Organismos Internacionais em Genebra.

Sobre a autora

Patricia_Profile

Patricia Galves Derolle é pós-graduada em Relações Internacionais pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. Já estagiou na Missão do Brasil junto as Comunidades Europeias, em Bruxelas, na Missão do Brasil junto à ONU, em Genebra, já trabalhou no Escritório de Representação do Itamaraty em São Paulo e na Organização Internacional para Transportes Terrestres – IRU – em Genebra. É fundadora do site Internacionalista, em que compartilha conteúdo de Relações Internacionais.

Fotos: Patrícia Galves Derolle e Mariana Chammas

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4 responses to “O que saber antes de estagiar na Missão do Brasil na ONU em Genebra?

  1. Oi Patrícia!
    Tenho interesse em participar, mas tenho algumas dúvidas. Agradeceria se você pudesse me responder…
    Quem tem previsão de se graduar em dezembro desse ano pode se inscrever?
    E a pessoa selecionada pode escolher em qual dos três períodos do programa ao longo do ano ela prefere estagiar? Ou são eles quem decidem?
    Obrigada!

  2. Olá gabbienunes, como vai?

    Eu acredito que a graduação ainda neste ano qualifica os postulantes ao Programa, sem problemas, mas vale a pena verificar no edital e com a missão. Em relação aos períodos, eu não sei lhe informar, mas acho válido você escrever sua preferência na Carta de Motivação, que é a sua comunicação com a missão.

    Se precisar de mais alguma ajuda, com as cartas, por exemplo, pode entrar em contato comigo pela minha página no facebook: https://www.facebook.com/e.internacionalista

    Boa sorte e grande abraço.

    Patricia

  3. Patricia,

    Teu sítio é muito interessante. Gostava de saber como fizeste para ter um estágio voluntário na missão brasileira junto à UE. Poderias falar um pouco mais sobre este tópico? Agradeceria imenso!

    Luiz

  4. Olá Patrícia, tudo bem?
    Estou muito interessado em concorrer no Programa de Formação Complementar na Missão do Brasil junto à ONU e por isso gostaria de saber duas coisas.
    1) Mesmo acreditando que não exista restrição para curso de formação, tenho lido algumas reportagens sobre pessoas que participaram do Programa e que são basicamente formadas em Relações Internacionais, você acha que é possível uma pessoa formada em Administração de Empresas e com experiência na Indústria privada ter chances de ser aprovado?
    2) A questão da idade pode ser um fator negativo? Tenho 33 anos.

    Parabéns pelo Site e pelas informações prestadas.

Comentários

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