Relações Internacionais: o caminho menos difícil para a diplomacia

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Palácio do Itamaraty (Brasília/DF) Foto: Fernando Stankuns

Conforme prometido em meu artigo anterior, encerro hoje minha trilogia sobre a preparação para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata. Tratarei especialmente de dois temas caros para mim: a escolha da graduação em Relações Internacionais e o estudo de línguas, que não foi discutido antes porque acredito que os assuntos sobre os quais escreverei hoje têm importantes pontos de tangência.

Estudei RI (ou REL, como queiram), então pode parecer que a parcialidade passará longe do que vou escrever aqui (principalmente se você for mais inclinado ao pensamento de teorias de RI que não acreditam que aquele que escreve possa ser imparcial). Apesar disso, admito que nunca fui um fã completo da graduação em RI tal como ela está estruturada. A consolidação do curso ainda é recente no Brasil, e, apesar do bom trabalho que vem sendo feito nas últimas duas décadas, há ainda algumas lacunas, majoritariamente no que diz respeito à homogeneidade do currículo oferecido pelas instituições de ensino. Por causa dessa falta de homogeneidade, é possível que meus conselhos abaixo possam parecer inócuos se o curso de RI da faculdade escolhida tiver outro foco, mas espero ajudá-lo a ter confiança em sua escolha, porque não há caminho mais dirigido à preparação do que esse. Mesmo que o Direito seja uma carreira mais tradicional e que lhe possibilite prestar concursos tão concorridos como o nosso, ainda aconselho apostar nas Relações Internacionais. Nas duas turmas que cursam atualmente o Instituto Rio Branco, cerca de um terço dos alunos estudou RI, o que faz deste curso a maior fonte dos recém-ingressos na carreira.

Eu cursei RI com a intenção de formar uma base sólida para preparar-me para o CACD, mas sempre tive a ciência de que não adiantava pensar exclusivamente no concurso durante a graduação, porque, neste contexto atual de vagas limitadas, são raríssimos os casos de aprovados recém-saídos da faculdade. Ainda que eu tenha trabalhado em uma consultoria internacional (e fiz questão de trabalhar na iniciativa privada, para adquirir experiência profissional e para conseguir fundos que bancariam meus estudos futuros), nunca tive o desejo de desviar-me de meu planejamento original. Por esse motivo e pelo fato de que, na minha universidade, era possível cursar diversas disciplinas optativas e livres, resolvi optar por aquelas que tratassem de conteúdos cobrados no CACD. Incluindo ainda as disciplinas obrigatórias, estudei na graduação quase todos os pontos exigidos em Economia, Política e História, sem falar da maioria do conteúdo de Direito. Ainda que o curso de RI que você escolheu tenha uma grade curricular bastante inflexível ou que privilegie outros focos, como a diplomacia corporativa, o marketing internacional ou o comércio exterior, dificilmente haverá outra graduação que ofereça uma gama tão ampla de disciplinas que estejam relacionados ao CACD.

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Leonardo Rocha Bento em viagem acadêmica à ONU em Nova York, durante graduação. Foto do autor.

De maneira geral, quem escolhe estudar RI tem alguma bagagem em línguas estrangeiras ou deseja adquiri-la. É muito difícil superar a graduação sem conhecimento intermediário de inglês ou espanhol, por exemplo, porque ainda há uma grande dependência de bibliografia escrita nesses idiomas. É mais difícil ainda trabalhar na área de Relações Internacionais sem dominar duas ou mais línguas estrangeiras. Soma-se a isso o fato de que a maioria dos cursos de RI oferece a possibilidade de o aluno cursar idiomas, no Brasil ou no exterior. Em contrapartida, há alguns cursos superiores em que apenas o conhecimento básico de outro idioma já é suficiente. Por esse motivo, o graduado em RI possui, ceteris paribus (para usar um termo que é bastante repetido nos estudos de Economia), uma vantagem (comparativa ou absoluta? Fica ao gosto do freguês) em relação aos demais.

Meu conselho, quanto aos idiomas, é estudar, desde a graduação, Espanhol, Francês e Inglês, ainda que sem o foco no concurso, que possui uma lógica própria e pode ser inclusive abstruso para falantes nativos. A possibilidade de fazer uma imersão no idioma é um grande trunfo, mas não é essencial. Eu jamais morei no exterior, por exemplo. Com bastante estudo e dedicação, o que envolve também um investimento em aulas particulares com professores que conhecem o CACD, é possível destacar-se em comparação a candidatos com muito mais vivência no idioma.

Um último conselho sobre as línguas: não achem que apenas as línguas estrangeiras requerem dedicação. A Língua Portuguesa é a base de todo o concurso: em primeiro lugar, porque é a disciplina com o maior número de questões (e as mais trabalhosas, por causa da quantidade de textos) na primeira fase; em segundo lugar, porque é a única disciplina diretamente exigida na segunda fase; em terceiro lugar, porque qualquer boa argumentação nas provas dissertativas exige um bom domínio do português. Por conseguinte, não deixem jamais de praticá-lo.

Encerro aqui a minha trilogia (e a opção por uma trilogia não foi por acaso) sobre a preparação para o CACD. Espero que eu os possa ter ajudado nessa maratona e desejo encontrá-los em breve como colegas de profissão.

Sobre o autor

1531703_619434708124156_2053888849_oLeonardo Rocha Bento estudou Relações Internacionais na Universidade de São Paulo. Aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata em 2013, atualmente estuda no Instituto Rio Branco.

Foto de capa: Fernando Stankuns.

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2 responses to “Relações Internacionais: o caminho menos difícil para a diplomacia

  1. Olá diplomata! Li sua trilogia na sequência e me inspirou a empenhar-me na preparação.
    Estou estudando para o CACD 2016 que será meu primeiro. Sou comunicador social e espero ter uma pequena vantagem em português, pois tenho apenas conhecimento de atualidades, intermediário em inglês e iniciante em espanhol/francês.
    Se possível, poderia nos contar as novidades dos últimos dois anos da sua carreira. Também gostaria de saber mais sobre Programa de Ação Afirmativa. Abraço!

Comentários

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