Carreiras Internacionais: três grandes sonhos

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Por Diego Trindade d’Ávila Magalhães

Muitos dos interessados no curso de graduação em Relações Internacionais têm um de três grandes sonhos. Tem gente que procura o curso porque tem o sonho ser um(a) luxuoso(a) executivo(a) de uma multinacional. Alguns sonham com a nobreza de mudar o mundo, lutando por causas nobres, cuidando dos mais fracos e oprimidos. Outros sonham com o glamour de representar e de defender o seu país no exterior. Todos esses sonhos são realizáveis, mas nenhum deles é fácil.

Quem quiser apenas viajar pelo mundo, falar outros idiomas e conhecer diversas culturas deveria economizar o tempo e o dinheiro investidos na Universidade e fazer um mochilão na Europa, na Ásia… Quem quer viver essas experiências constantemente como parte da sua vida profissional deve acostumar-se a ler mais de mil páginas por semestre no curso de Relações Internacionais e engajar-se nas atividades extracurriculares comumente desenvolvidas pela comunidade acadêmica da área. Em Dourados (MS), em Santa Maria (RS), em Recife (PE) ou em Belo Horizonte (MG), qualquer local pode projetar globalmente a sua carreira.

Toda iniciativa pode, no mínimo, ajudar a definir o sonho preferido

A carreira de diplomata corporativo muitas vezes envolve um programa de seleção de trainees para uma grande corporação transnacional. A preparação, contudo, começa antes disso. O sonho de tornar-se um CEO andando de limusine e de jatinho particular requer capacidades que precisam ser desenvolvidas durante o curso de graduação. Inglês é exigido: se não sabe, aprenda; se já sabe, pratique. Iniciativa é requisito: se gosta de negócios, empreenda no contexto de uma empresa júnior; se gosta de projetos sociais, ensine inglês e apresente curiosidades sobre o mundo para crianças carentes em creches, por exemplo. As empresas valorizam essas capacidades e esses valores.

Se o seu sonho envolve mudar o mundo, trabalhe na ONU em atividades em favor dos refugiados. Há também ONGs parceiras da ONU em diversas ações que visam ao cumprimento dos Objetivos do Milênio, a exemplo do combate à malária e da redução da pobreza.  Experiência é um requisito: se nunca fez nada parecido, informe-se, agrupe-se com quem tem o mesmo interesse, para realizar um projeto social, escolhendo uma creche ou um lar de idosos. Se não há pessoas no seu curso engajadas nesses projetos, procure as de outros cursos e inspire-se em exemplos em andamento em outras universidades.

O sonho de tornar-se um diplomata para defender o Brasil implica enfrentar o concurso mais difícil do Brasil. Essa não é a única maneira de defender o seu país: as carreiras de analista de comércio exterior do MDIC e de oficial de inteligência da ABIN requerem muito conhecimento de Relações Internacionais. Todos os concursos exigem disciplina e estudo, e têm mais chances os que percebem isso já durante a graduação, quando convém procurar editais anteriores, orientações de professores e grupos de estudo. Organizando ou participando simulações de negociações internacionais, sente-se o gostinho do que a carreira diplomática tem a oferecer. Esse tipo de evento contribui para desenvolver importantes habilidades, tais como liderança, trabalho em equipe, iniciativa, negociação e comunicação.

Muitos não têm certeza acerca da carreira que quer seguir, mas é necessário perceber que todas as iniciativas exemplificadas acima podem, no mínimo, ajudar a definir o sonho preferido. No máximo, essas experiências podem colocar o seu currículo acima de todos os demais concorrentes.

Para alguns, falar de sonhos significa viver no mundo das nuvens. Para outros, falar de sonhos é crucial para planejar, e isto leva a ações concretas. Renato Russo disse “como chegar até as nuvens com os pés no chão?”, pois o sonho precede o voo, os objetivos precedem a ação.  Quem deseja uma decolar em uma das carreiras internacionais precisa informar-se, preparar-se, dedicar-se, de modo que os seus sonhos se transformem em realidade.

Sobre o autor

Diego Trindade d’Ávila Magalhães é professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e doutorando em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Contato: diego.magalhaes@ufsm.br

Foto de capa: timtom.ch via photopin cc

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