A importância dos temas atuais de Segurança Internacional

O Clio Internacional, centro de estudos e de conhecimento das Relações Internacionais da Faculdade Damásio, oferece diversos minicursos sobre Relações Internacionais. Confira abaixo o texto de Marcella Winter, coordenadora pedagógica do Clio, sobre temas atuais de segurança internacional e descubra os cursos que o Clio Internacional oferece sobre o tema.

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A centralidade dos temas de segurança na disciplina de Relações Internacionais e nas relações entre os Estados soberanos é indiscutível. Os recentes eventos na França não nos permitem duvidar de que questões relacionadas à temática sejam primordiais nos estudos da área e na agenda política dos mais variados países. Os Estados centrais apoiam, comumente, o uso da força, baseado em intervenções militares, para coibir o espraiamento dessas atividades. As nações em desenvolvimento ressaltam que as causas geradoras do terrorismo não serão solucionadas com o uso da força ou o alijamento de grupos extremistas da política internacional, embora condenem de forma veemente tais atos.

É necessário, portanto, que a cooperação entre nações e o diálogo sejam a tônica da ação estatal e que ilícitos conexos sejam igualmente combatidos. Nesse contexto, podem-se enfatizar três questões que devem ser evidenciadas para que se mantenham a paz e a estabilidade mundiais: o narcotráfico, o tráfico internacional de armas convencionais, além da posse e do uso de armamentos nucleares.

O tema do narcotráfico tornou-se, nas ultimas décadas, genuinamente global. Das disputas entre gangues e facções nas grandes metrópoles às conexões com guerrilhas, milícias, militares e paramilitares, o combate ao narcotráfico alimenta violências em cidades, selvas, desertos e montanhas, numa “guerra” que completa cem anos. Identificado como problema de segurança pública, nacional e internacional, o narcotráfico mobiliza forças estatais, articulações diplomáticas e ampliadas práticas repressivas, sem que o negócio se esgote. A compreensão dessa questão exige uma análise da história da produção do narcotráfico como problema de segurança, com especial atenção ao papel dos Estados Unidos e de países latino-americanos diretamente atravessados pelos fluxos ilegais transnacionais do tráfico de drogas.

O narcotráfico, entretanto, não se sustenta sem fontes de financiamento, corrupção de autoridades e, sobretudo, o tráfico internacional de armas convencionais, ou, como são geralmente chamadas, as armas leves. Os problemas da utilização de armas são óbvios e não se configuram como um fenômeno da contemporaneidade. Entretanto, as armas pequenas e armamentos leves, e seu comércio ilegal, ganharam maior atenção da comunidade internacional no pós-Guerra Fria devido à proeminência de suas consequências em conflitos intraestatais. Algumas das implicações específicas do uso desses armamentos são a obstrução do desenvolvimento nacional e contribuição para o crime organizado e o tráfico de pessoas.

Em 2014, foi estabelecido o Tratado sobre Comércio de Armas (ATT), que contribui de maneira significativa às estruturas legais existentes introduzindo novos padrões para a transferência internacional de armas convencionais. Ainda que haja avanços, outros tipos de armamento são evidenciados como prioridades da agenda de segurança internacional; ainda que sejam as armas que mais matam em conflitos internacionais ao longo da história, as armas nucleares são concebidas como uma das principais questões no sistema de nações.

A possibilidade do uso de armamentos nucleares não é excluída da pauta internacional ao longo de setenta anos e, mesmo após tanto tempo, segue relevante e central para as discussões internacionais. A dubiedade da tecnologia atômica, tanto fundamental para o desenvolvimento econômico quanto capaz de devastar todo o planeta, gera debates extensos sobre os programas nucleares espalhados pelo mundo, as regras sobre o uso da tecnologia nuclear e os riscos envolvidos na sua evolução. Após os ataques a Hiroshima e Nagasaki e a obtenção do armamento nuclear por mais de uma nação, seu uso deixou de ser visto como legítimo; contudo, a ascensão de novos fenômenos e atores internacionais não estatais, a exemplo das supracitadas organizações terroristas, faz acender o debate.

Coloca-se primordial, portanto, que o estudante de Relações Internacionais e os profissionais de outras áreas que desejam aprofundar-se nos temas da disciplina estejam envolvidos de forma direta nas discussões relativas à segurança internacional. A agenda dos Estados e o bem-estar de suas populações são influenciados por essas temáticas, que não podem ser negligenciadas no cálculo analítico e na visão crítica de acadêmicos, empresários, membros da burocracia do estatal e indivíduos interessados nos temas internacionais.


Quer saber mais sobre as principais temáticas de segurança internacional? Inscreva-se já nos minicursos do Clio Internacional:

Narcotráfico e Segurança Internacional

Ministrado pelo professor Thiago Rodrigues, o curso visa a entender e analisar as conexões internacionais desse tema, incluindo as diversas tentativas de solucioná-lo.

Pequenas Armas, Grandes Problemas: Armas Convencionais na Política Internacional

Oferecido pelo professor Marcus Vinicius Figueiredo, o curso visa a estudar as “armas convencionais”, partindo tanto de seu conceito e de sua utilização, bem como de seu comércio mundial, nas suas vertentes lícito e ilícito.

Perigo nuclear: ontem e hoje

Um dos cursos de maior sucesso do Clio Internacional, é apresentado pelo professor Tanguy Baghdadi e destina-se a Estudantes e demais pessoas interessadas em enriquecer sua visão acerca dos debates sobre programas nucleares e suas particularidades.

Sobre a autora

330a9e6Marcella Winter é bacharel em Relações Internacionais pelo IRI/PUC-Rio e Mestre em Relações Internacionais pelo PPGRI/UERJ. Atua nas áreas de segurança internacional e política externa brasileira, com ênfase em questões nucleares e cooperação bilateral Brasil-Argentina. É professora do Clio Internacional e do Curso Clio. Contato: marcella.winter@cliointernacional.com.br

Foto de capa: Brennan Cavanaugh via photopin cc

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